
140
Páginas
1997
Ano
Dissertação de Mestrado
Relações Internacionais
O Caso de Cabinda e a Unidade Política de Angola: Uma Leitura Étnica e Económica
por Maria Oliveira
ISEG
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Resumo
Cabinda, enclave angolano situado entre o Zaire e o Congo, tem vindo a
ser palco de conflitos com vista à sua independência. O território, com cerca de
7000 Km2 e mais de 170 000 habitantes, é uma das principais fontes de receitas
do Estado Angolano, sendo responsável por cerca de 60% das suas exportações
petrolíferas. Cabinda constitui um dos cenários de confrontação, latente e
efectiva, em África, em que se questiona o princípio da intangibilidade das
fronteiras, com base na especificidade da sua relação com a potência colonial e
na dificuldade de identidade com o Estado pós-independência.
A questão de Cabinda exige uma abordagem pluridisciplinar; não se
poderá entender a sua reivindicação de "diferente" e de "específica", no contexto
do Estado angolano, se não se perceber, por um lado, a evolução do seu processo
identitário e a génese do fenómeno "etnonacionalista" e, por outro, a importância
económica do enclave. A leitura da génese e afirmação das lealdades entre os
cabindas, não poderá deixar de considerar o ambiente histórico e cultural em que
foram afirmadas. A leitura da agudização do fenómeno identitário nacionalista
em Cabinda terá ainda que ter em conta a evolução dos modos de integração
daquele espaço na economia angolana e na economia mundo. Enquanto nos
meados do século XIX a sua inserção na economia mundial devia-se, sobretudo,
ao tráfico de escravos, no século XX ela processa-se por via do petróleo.
Qualquer solução política para Cabinda terá que ter em linha de conta
considerações de ordem étnica, histórica e económicas, não esquecendo as suas
"virtualidades" geo-estratégicas.
Palavras-chave
Cabinda
Angola
Tratado de Simulambuco
conflito etnonacionalismo
petróleo
