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2020
Ano
Dissertação de Mestrado
Engenharia
Avaliação do Risco Sísmico de Edifícios Residenciais Em Angola
por Osvaldo António Fonseca
Universidade do Porto
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Resumo
A avaliação do risco sísmico à escala nacional representa uma poderosa ferramenta para a definição de medidas para redução de potenciais perdas económicas, resultantes de terremotos futuros. Pelo facto de não se registarem eventos sísmicos de magnitudes consideráveis nos últimos tempos e inexistência na história sobre eventos que tenham causado danos severos, Angola é considerado um país de baixa sismicidade.
Neste sentido, o presente estudo apresenta uma avaliação do risco sísmico do país, resultado da confluência da perigosidade sísmica, vulnerabilidade estrutural e exposição do parque edificado. Dada a insuficiência de informação, os modelos foram desenvolvidos recorrendo à extrapolação de dados de outros países para a realidade angolana, realizando, para o efeito, as devidas adaptações.
O modelo de perigosidade foi elaborado considerando as acelerações do solo para o período de retorno de 475 anos, disponibilizada através da base de dados do Global Earthquake Model (GEM). Para a definição da vulnerabilidade estrutural foram utilizadas funções de vulnerabilidade estrutural desenvolvidos pelo GEM para o continente africano, a partir das quais se determinaram os níveis danos e os consequentes rácios de perdas (loss ratio) das estruturas em função do nível de aceleração do solo, convertida em aceleração espectral. A determinação da quantidade de edifícios expostos aos cenários sísmicos foi efectuada com base na informação extraída do censo populacional que congrega dados sobre os materiais de construção dos agregados familiares. As perdas económicas foram determinadas com base em informação sobre o mercado de construção do país, através das áreas brutas dos fogos habitacionais, e nos custos por m2 para cada tipo de habitação, considerando diferentes níveis de qualidade.
O presente estudo científico permitiu concluir que o país, realmente, tem níveis de perigosidade baixos para acelerações de solo para a probabilidade de excedência de 10% em 50 anos e um período de retorno de 475 anos. Entretanto, as fragilidades estruturais identificadas e a quantidade de edifícios expostos à perigosidade podem levar a perdas económicas consideráveis. Tal facto desperta para a necessidade de se continuar a realizar estudos relativamente à avaliação do risco sísmico, em especial do modelo de vulnerabilidade estrutural do parque edificado do país.
Palavras-chave
Perigosidade sísmica
Exposição
Vulnerabilidade estrutural
Risco sísmico
Angola
