Organização das Unidades de Oncologia em Angola: perfil epidemiológico das doenças oncológicas e recursos necessários para o diagnóstico precoce e tratamento adequado

122

Páginas

2026

Ano

Tese de Doutoramento
Medicina

Organização das Unidades de Oncologia em Angola: perfil epidemiológico das doenças oncológicas e recursos necessários para o diagnóstico precoce e tratamento adequado

por Fernando Miguel

Universidade do Porto

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Resumo

Este trabalho teve como objectivo estudar o perfil epidemiológico das doenças oncológicas em Angola, identificar os recursos necessários para um diagnóstico precoce e um tratamento adequado e ajudar a definir um plano oncológico para o país. Foram avaliados os dados do registo de base hospitalar do IACC, no sentido de perceber a dimensão do problema em Luanda. Os tumores malignos mais frequentes foram: mama (21,4%), colo do útero (16,8%), próstata (7,1%), linfoma não-Hodgkin (4,5%) e sarcoma de Kaposi (4,3%). No género masculino 19,3% dos tumores eram da próstata, 7,5% eram sarcomas de Kaposi e 7,5% eram linfomas não-Hodgkin. O cancro da mama e do colo do útero juntos representam 60% de todos os tumores malignos no género feminino. Em relação aos pacientes pediátricos, o tumor de Wilms, o retinoblastoma e o Linfoma não Hodgkin foram os tumores mais frequentes diagnosticados no IACC. A falta de um registo oncológico de base populacional impede conhecer a realidade do país. Posteriormente, foram estudados os recursos humanos e materiais e a organização das unidades de oncologia já existentes e definido os aspectos cruciais a mudar tendo em vista as boas práticas. De forma particular foi estudado a organização das farmácias de oncologia e construi-se um quadro de recomendações. Foi estudado o perfil do cancro da mama em Luanda tendo em conta que é uma das neoplasias malignas mais complexas e prevalentes e que a sua prevenção, diagnóstico e tratamento é um exemplo paradigmático daquilo que se terá de fazer em oncologia no país. Verificámos que esta neoplasia é diagnosticada tardiamente, e que não era oferecido o melhor tratamento, em parte pela falta da caracterização do perfil molecular e pela falta dos medicamentos mais indicados. No sentido de ultrapassar este problema estudámos o perfil molecular de 373 carcinomas da mama diagnosticados consecutivamente em Luanda, verificando-se que o perfil molecular determinado pelo estudo imunohistoquímico foi: Luminal A - 23,8%, Luminal B - 27,1%, Luminal B / HER2 - 8,2%, HER2 - 14,7% e triplo negativo - 26,2%. A necessidade de um laboratório nacional que centralize estes estudos laboratoriais com qualidade é crucial. Foram apontados os aspetos mais importantes a serem englobados no futuro plano oncológico nacional e definido um quadro de unidades de oncologia regionais no sentido de assegurar assistência em oncologia no país. A necessidade de um programa de formação de quadros que permita o funcionamento destas unidades com qualidade e continuidade foi também sublinhado.

Palavras-chave

oncologia
Angola
Luanda
epidemiologia do cancro
IACC
cancro da mama
cancro do colo do útero
cancro da próstata
sarcoma de Kaposi
linfoma não-Hodgkin
tumor de Wilms
retinoblastoma
perfil molecular
imunohistoquímica
triplo negativo
HER2
plano oncológico nacional
registo oncológico
diagnóstico precoce
farmácia oncológica
formação de quadros
saúde pública