Prevalência de marcadores da Hepatite B, Hepatite C, VIH e Sífilis em doadores de sangue em Angola, atendidos na Clínica Girassol durante o período de 2011 a 2016

283

Páginas

2026

Ano

Tese de Doutoramento
Medicina

Prevalência de marcadores da Hepatite B, Hepatite C, VIH e Sífilis em doadores de sangue em Angola, atendidos na Clínica Girassol durante o período de 2011 a 2016

por Angelina Edna Edmunda Columbana Bia Quintas

Universidade do Porto

Plano gratuito não inclui downloads

Assine um plano para descarregar trabalhos.

Resumo

Infeção de transmissão transfusional (ITT) é toda a infeção que é adquirida através da transfusão de sangue. Em Angola, estudos sobre ITT e suas consequências são escassos. Por outro lado, apesar de existirem estudos de investigação realizados noutros países com resultados significativos acerca da relação entre as ITT e suas consequências, existe necessidade de uma melhor compreensão desta situação nos países em desenvolvimento, para uma melhor adaptação dos programas de prevenção e controlo das referidas infeções. O resultado de uma ITT pode ser crónico, muito debilitante e ter grande impacto social, familiar e conferindo vulnerabilidade a nível psicopatológico, que acarreta custos acrescidos com o tratamento. O Serviço de Imunohemoterapia e Banco de Sangue da Clínica Girassol realiza o rastreio destas infeções. O objetivo da presente dissertação foi o de estudar primeiramente através de um estudo observacional, a prevalência das infeções de transmissão transfusional, nomeadamente marcadores da hepatite B, hepatite C, VIH e Sífilis, em Angola, em particular na Clínica Girassol, durante operíodo de 2011 a 2016. Posteriormente, realizaram-se revisões sistemáticas e meta-análise,para conhecer e caracterizar a prevalência destes marcadores serológicos em doadores de sangue nas 5 regiões de África, nomeadamente, Norte, Ocidente, Oriente, Centro e Sul. Surge então a necessidade de aprofundar a investigação utilizando o PRISMA-Statement Guideline updated in 2020 e o protocolo do estudo foi registado na PROSPERO com o número CRD42023395616. Para a revisão sistemática e meta-análise foi utilizada uma estratégia de pesquisa e seleção criteriosa dos estudos primários, desde o início, isto é, entre 1990 e março de 2024, tendo sido excluídas séries de casos, comentários editoriais e estudos com dados duplicados. Nestes estudos ficou demonstrado que a seroprevalência de AgHBs entre doadores de sangue foi de 6,93% (95% CI: 5,95 a 7,97%); VHC de 2,46% (95% CI: 1,97 a 3,00%); VIH de 2,66% (95% CI: 2,17 a 3,20%) e sífilis foi de 2,47% (95% CI: 1,81 a 3,24%), em doadores de sangue nas 5 regiões de África. Na generalidade, estes resultados quando comparados com os outros continentes, demostrou uma seroprevalência alta. Para o estudo observacional de prevalência, tentamos perceber os fatores que motivam a doação de sangue, no que concerne aos doadores voluntários não remunerados e seus familiares, estudar a prevalência de cada marcador serológico, o número total de doadores de sangue com resultados positivos. Neste sentido, participaram neste estudo Descritivo Observacional Retros- petivo de Prevalência, 3016 (2734 positivos e 282 negativos) doadores voluntários de sangue sujeitos de pesquisa, através da utilização de uma base de dados de marcadores com resultados positivos para a Hepatite B, C, VIH e Sífilis rastreados de 2011 a 2016. Foram registados os dados demográficos. A análise foi efetuada utilizando o programa de análise estatística de dados SPSS® v.24.0 (Statistical Package for the Social Sciences). Todos os doadores antes da doação de sangue preencheram e assinaram o consentimento informado. No estudo, os doadores de sangue com resultados positivos perfizeram 2734. Apresentaram idades compreendidas entre 18 e 64 anos. A maioria eram homens com 2467 (90%) e 267 (10%) mulheres e a média encontrada das idades foi de 32±9 anos. Mil e trezentos e setenta e três doadores/2734 (50%) apresentaram o antigénio de superfície do vírus da Hepatite B (AgHBs) positivo; 731/2734 (27%) anticorpo do core do vírus da Hepatite B (AcHBc) positivo e 69/1373(5%) simultaneamente AgHBs e AcHBc. O anticorpo para ovírus da Hepatite C (anti-HCV) foi positivo em 140/2734 (5,1%) doadores e o anticorpo para ovírus de imunodeficiência humana em 191/2734(7%) doadores. Quanto à sífilis, 436/2184(20%) doadores apresentaram resultados de serologia positivos para o Treponema pallidum, sendo a maioria, doadores do sexo masculino com 384/2184 (17,5%) e 52/2184 (2,4%) do sexo feminino. Concluindo, os resultados do estudo revelaram que os marcadores serológicos pesquisados em todas as amostras estudadas, mostraram uma prevalência elevada de contato com estas infeções nesta população, o que demonstrou a importância de rastrear os doadores para garantir a segurança da transfusão e assim evitar ITT, motivo pelo qual o rastreio deve ser intensificado.

Palavras-chave

infeção de transmissão transfusional
ITT
segurança transfusional
doação de sangue
Angola
Clínica Girassol
seroprevalência
Hepatite B
Hepatite C
VIH
sífilis
Africa
meta-análise
revisão sistemática
rastreio serológico
dadores de sangue
saúde pública