Análise da Dinâmica da Paisagem. Caso de Estudo: Município do Lubango (2017-2023)

81

Páginas

2025

Ano

TCC
ciencias_ambientais

Análise da Dinâmica da Paisagem. Caso de Estudo: Município do Lubango (2017-2023)

por Marcos Hermenegildo Sito Mavungo

Instituto Superior Politécnico da Tundavala

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Resumo

O presente trabalho analisa as dinâmicas da paisagem ocorridas no município do Lubango entre os anos de 2017 a 2023, com o principal objectivo de perceber as mudanças nas diferentes classes do uso do solo. Foram utilizados dados de uso do solo em formato raster, adquiridos através do Living Atlas of the World, da ESRI, e processados no sotware QGIS e Python para, (a) a quantificação das áreas ocupadas por sete (7) classes definidas: água, vegetação inundada, solo nu/exposto, pastagem, culturas agrícolas, áreas construídas e florestas/áreas arborizáveis; (b) o cálculo de tendência das classes e (c) a alternância das classes. Os resultados mostram que a pastagem foi a matriz da paisagem, por ter maior área relativa, apresentou dinâmicas significativas, passando de 70% (2.211,61 km2) em 2017 para 51% (1.618,32 km2) em 2018, com flutuações nos períodos subsequentes. A classe de florestas/áreas arborizáveis registou um aumento no primeiro intervalo (2017 e 2018) de 455,46 km2 para 823,99 km2, no entanto, apresentaram uma redução contínua até 2023 (535,57 km2). A classe culturas agrícolas apresentou o seu maior registo em 2018 (548,79 km2), estabilizando-se abaixo desses valores ao longo dos anos. As áreas construídas demonstraram um crescimento contínuo e significativo ao longo dos anos, passando de 143,5 km2 em 2017 para 171,95 km2 em 2023, enquanto o solo nu/exposto observou um declínio progressivo. A água e a vegetação inundada permaneceram como as classes de menor expressão ao longo do período analisado. As tendências lineares demonstraram que as florestas (-5,84 km2/ano) e as pastagens (-4,91 km2/ano) registaram as maiores taxas de redução, ao passo que as culturas agrícolas (6,92 km2/ano) e as áreas construídas (4,34 km2/ano) foram as únicas classes com crescimento contínuo. Grande parte da paisagem (78~88%) não sofreu alteração ao longo dos anos, porém observou-se uma predominância de pastagens a serem transformadas em culturas agrícolas e floresta entre 2017 e 2018, porém sendo esta última sistematicamente transformada em pastagens e culturas agrícolas nos anos subsequentes. As pastagens foram sendo maioritariamente substituídas por áreas agrícolas e áreas construídas. As interacções ocorreram apenas nas fronteiras entre as manchas. Foi concluído que a paisagem apresenta actualmente uma alteração significativa dominada pela expansão agrícola e urbana, degradação florestal e diminuição dos corpos de água. Sugere-se a contenção das ameaças às florestas, retenção das águas e criação de Planos Directores para optimizar as áreas de exploração e urbanização.

Palavras-chave

Paisagem
Ecologia da Paisagem
Dinâmica
Lubango
QGIS